me parece que a cada dia que passa, tenho menos paciência para a vida online. volta-e-meia alguém me pergunta: “tem facebook?” e ao ouvir o indefectível “não”, a pessoa já emenda: “entra, eu estou lá, é tão legal.”
pode ser que seja pura ranhetice ou capricho de menina que não quer ser contrariada, mas, eu não tenho a mínima vontade de entrar em uma nova rede social que esteja na crista da onda.
parece-me que, cada vez mais, as pessoas fazem 500 coisas ao mesmo tempo e no pouco tempo em que poderíamos partilhar do outro ~ ouvindo, falando, entendendo, se esforçando, rindo... ~ temos faniquito em saber o que está acontecendo na nossa “vida” online.
ela, a vida online, parece-me, ficou infinitamente mais importante do que a vida real, a de verdade. acho mesmo que essas pessoas que não conseguem ficar 15 minutos ou 1 hora longe de traquitanas eletrônicas não se dão conta de como a vida real delas ficou em segundo plano.
tá, eu também adoro as novas tecnologias e todas as possibilidades que ela abre. é verdade que eu não teria encontrado amigos maravilhosos se não houvesse tudo isso. e agora pode ser que eu chova no molhado, mas realmente me sinto melhor me controlando mais com relação ao meu email, tuiter, flickr e blip.
sem me dar conta, eu tinha virado uma pilha de ansiedade só esperando “um email legal chegar”. ou “alguém tuitar algo que eu gostasse de ler”.
fiquei tititi quando ontem, ao sair com um grande amigo, ele ficou respondendo email durante praticamente nosso jantar inteiro. fiquei chateada. se você está lá, você não está aqui, você não está pleno. eu sei, ele é capaz de ser multitask. ele realmente é. mas fiquei aborrecida porque, de uma certa maneira, me pareceu que a minha presença ali não era assim tão importante. eu sei que no fundo não é isso. mas não consigo deixar de pensar que não seja assim, ao menos um pouco.
não quero julgar o modo de viver de ninguém. até porque, quem sou eu pra isso? cada um que viva de acordo com o que considera bom para si. eu só sei que eu não quero viver mais uma vida online do que uma vida de verdade. pode ser que eu vire alguém retrógrado, mas, enfim, essa sou eu com todos os meus defeitos, fraquezas, imperfeições e qualidades. essa sou eu.
3.ago.2010 ~ 19:45 a 19:59
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4 comments:
oi Miki,
tudo bom? o mundo net, especificamente dos blogs é muito louco né? eu leio vários blogs e olha só até chegar aqui na sua ´´casa´´ : do Come-se e de lá fui pra Kafkanacozinha, da Karen, e de lá descobri alguns dos seus cantos. É um prazer te ler, estou aos poucos lendo e conhecendo um pouco das suas produções e encantada com tudo mesmo. É tão lindo, sutil, delicado é a palavra exata. Parabéns viu. Volto mais vezes.
um super abraço
madoka
olá, madoka!
seja benvinda =)
fico feliz que tenha se encantado com uma parte da minha vida que divido aqui, ali, acolá!
ah... a karen! ela é uma querida! ficamos amigas por conta dos nossos blogs de culinária [o meu está abandonado, rs]!
e vc tb gosta de cozinhar? tem blog?
esse post especificamente foi meio azedo, rs. tenho pensado muito nessa coisa louca que é a vida online. não que eu não seja partidária, muito pelo contrário: sou fã! mas o exagero, em nada na vida, é bom.
abracos, miki
Que coisa chata, Miki! Eu considero isso uma falta de respeito.
Se bem que eu ainda vivo na idade da pedra e faço um número bem limitado de coisas ao mesmo tempo. Não consigo nem responder torpedos, sou lerdíssima e tenho ódio de ficar caçando as letras.
Outro dia vi um episódio do South Park que era uma crítica ao Facebook, muito divertido!
Beijos e bom final de semana!
oi, karen querida!
foi chato, mas ele é um amigo muito muito querido e especial, então eu perdoei - rs.
mas como essa questão vem me incomodando de maneira geral há muito tempo, expurguei um pouco no papel o.O
adoro dividir a vida com vc, ainda que pontuada por longos brancos.
bjs e um finde maravilhosinho, m.
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